Poe sia da boa

 

Aqui vai um dos meus poemas favoritos, da autoria de Edgar Allan Poe, cuja maior parte do publico conhece somente pela fama de algumas histórias de terror e dúbias adaptações cinematográficas. Faço-o seguir de uma breve tentativa de tradução onde se tenta ao menos preservar o possível da cadência original, talvez o mais importante neste poema onde o mar é o grande personagem de fundo. O exercício torna-se mais interessante quando se pensa no esforço de condensação necessária para adequar as curtas palavras inglesas às longas portuguesas, noções, efeitos e restantes blábláblá. Na esteira do exercício do post anterior. Desconheço se há tradução, mas confesso que gostaria de vê-la. A primeira vez que contactei com este poema foi pela voz e tratamento musical dos velhinhos Propaganda, no álbum do mesmo nome (sim ainda do tempo dos LP’s), onde de facto, e como dizem os nossos amigos brasileiros, eles arrasavam, podem vê-los no Youtube aqui.

 

A Dream Within A Dream

Take this kiss upon the brow!
And, in parting from you now,
Thus much let me avow-
You are not wrong, who deem
That my days have been a dream;
Yet if hope has flown away
In a night, or in a day,
In a vision, or in none,
Is it therefore the less gone?
All that we see or seem
Is but a dream within a dream.

I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore,
And I hold within my hand
Grains of the golden sand-
How few! yet how they creep
Through my fingers to the deep,
While I weep- while I weep!
O God! can I not grasp
Them with a tighter clasp?
O God! can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see or seem
But a dream within a dream?

Tradução:

Um Sonho Dentro de Outro

Leva este beijo na fronte
E, agora que me afasto,
Deixa-me garantir-te –
Não erras, tu que pensas
Serem um sonho os meus dias;
Porém, se fugiu a esp’rança
Numa noite, ou num dia,
Numa visão, ou em nada,
Será por isso menos ída?
Tudo o que vemos ou par’cemos,
É só um sonho dentro de outro.

De pé diante ao rugido
Numa praia de mar irado,
Seguro na minha mão
Grãos de uma dourada areia –
Tão poucos! Como caem
Pelos dedos no chão
Fundo, enquanto choro e choro!
Deus! Pod’rei agarrá-los
Se mais eu apertá-los?
Meu Deus! Pod’rei salvá-los
Das ondas, ou só um?
Será tudo o que vemos ou par’cemos
Só um sonho dentro de outro?

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