O Fim de uma Era

Se calhar já acabara, mas alguns de nós andavam distraidos. No fim da minha infância e início da adolescência, havia por aqui algumas hipóteses de gostarmos de banda desenhada. Foi a era dos “patinhas”, em que fomos monopolizados pelas revistas aos quadradinhos da Abril. E quem queria outras coisas, mais crescidas, tinha de se contentar com uns Mandrakes, os ocasionais Lanterna Verde, Arqueiro Verde e Super-homem da DC em revistas a preto e branco. A oferta foi evoluindo aos poucos, e o certo é que hoje, apesar de ainda haver pouca impressão nacional, o certo é que já existe de tudo um pouco por cá. Tanto originais como em português.

Mas sempre foi um mundo claramente definido: os “Patinhas” e os “Super-heróis” que da Marvel ou da DC. E agora tudo mudou.

A Disney compra a Marvel. Parece ficção científica. Mas era talvez um acidente à espera de acontecer. E até não é mal pensado, se tomarmos em conta todas as nuances do negócio. Podem ver aqui algumas das considerações de Luis F. Alves, que dão uma boa ideia introdutória.

O que me preocupa nisto tudo é algo completamente diferente. É a subjacente ideia de que a empresa capitalista moderna só sobrevive à custa do crescimento total. Não podem haver anos maus, maus negócios, desaires, etc. ; para sobreviver, a empresa julga-se com o impulso de ter de crescer, uma espécie de fuga em frente, que não tem fim à vista, ou como um eterno adiar do fim inevitável. A chamada concentração. Longe vão os tempos em que uma empresa queria-se uma coisa estável. E eu pergunto-me até quando não se vão usar outros paradigmas de gestão mais consentâneos com calma vivência das pessoas. Para usar uma palavra em voga, quando é que a gestão das empresas, principalmente a nivel dos grande negócios, irá ser prosseguir a verdadeira auto-sustentabilidade, mudar o “ou crescemos ou morremos”. Não haverá pontos optimos de crescimento, de estabilidade de negócio? Serão as inteligências comerciais assim tão limitadas de neurónios que não o consigam?

Bom, o que for será. Entretanto, nada é de desesperar ou de falar mal. É apenas que as coisas mudam. Esperemos que desta surjam outras interessantes.

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4 responses to “O Fim de uma Era

  1. A Disney apresentou no último trimestre qualquer coisa como 700milhões de euros de lucro enquanto a Marvel apenas vinte milhões…Foi um negócio incrível. Vermos o que muda agora…

  2. O que retira, na minha opinião, a maior parte dos receios, é o facto de a Disney ter desbotado de há muito as cores do seu inicial conservadorismo. Este parece ser um negócio de sonho. A ver se não metem os pés pelas mãos, coisa que ainda é bastante possovel de acontecer.

  3. Por outras palavras, por que razão a economia está "dispensada" de obedecer às leis da física, sobretudo as que derivam de o sistema em que vivemos ser finito?João VenturaPS- Este esquema de comentários continua um bocado tosco… mas é o "Janelas(TM)", o que se há-de fazer?

  4. Deve ser esse um dos maiores "portuguesismos" do mundo (neste caso e mais especificamente, o acto de sair com o corpinho de fora quando a porca torce o rabo): o de pretender-se que a economia seja uma ciência legitimamente exacta. E este ano então foi o que se viu…

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