Artistas Mimados

Há muito que decidi haver para mim uma fronteira entre a Arte e o acto artístico ou meramente estético. Divisões como quaisquer outras, mas estas serão minhas.

Vejo muitas vezes actos estéticos que se tomam por arte, que acreditam ser arte, mas que nunca passam da relação directa, a mais das vezes simplesmente comparativa ou linearmente comentária. Para mim, tais actos não revelam ou produzem Arte. Poderão ter o seu valor enquanto fenómeno parcelar de usos e costumes socio-individuais, mas não atingem universalismo ou generalidades interessantes (ou relevantes), nem falam para lá de si mesmos, quer com outras realidades, com outros intérpretes, outras visões etc. Serão pequenos lenhos à espera de espectador que os pise: o resultado é uma feridinha ou incómodo que passa assim que o lenho é removido, após o que o corpo recupera para nunca mais se lembrar do caso.

Ou seja, o meu princípio básico é que a Arte eleva, no sentido que o objecto artístico ou a performance apontam inequivocamente para várias realidades fora do seu pequeno contexto, provocando outras.

Tudo bem. Sei que não sou um teórico esclarecido, um académico renitente ou um especialista de diatribes analíticas. Mas esta é a minha posição em relação ao assunto. Cada um terá a sua.

Isto a propósito desta performance artística, que se avisa não ser adequada a crianças ou a sensibilidades fracas.

Eu percebo que há muita gente que pensa ser “rasgativa”, “fracturante”, “vanguardista”, simplesmente “rebelde” ou “enfant terrible”. Percebo-o muito bem, e muitas vezes aprecio objectos artísticos, actos estéticos e performances nessas veias. Mas isto, temos pena, parece-me ser o equivalente da Joana Vasconcelos entre os vanguardistas: a peça é linear (artistas mijam em cima de fotografias de – supostamente, pois não dá para confirmar – políticos). Fim do acto. Parece que há mais actos, mas este é elucidativo: nem chega a ser um comentário, pouco passando da atitude. De meninos mimados.

Mas chegaram ao Maria Matos e fico contente pelos criadores, pois toda a gente tem direito a comer e a fazer pela vida. Esperemos é que haja por aí mais gente capaz de muito mais. Porque há falta de rebeldia a sério. Há uma terrível falta de comentário genial e relevante, de revolta pura e dura. A sociedade agradecia.

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